Raino

✒ EVANESCENTE – prólogo.

16 de Outubro, 2019
A cultura asiática
tem uma lenda conhecida como o Fio Vermelho do Destino. Os deuses
atam um fio vermelho invisível naqueles que estão destinados a
encontrarem-se ou a ajudarem-se de uma maneira ou de outra. As duas
pessoas são amantes incontestáveis; estão destinados
independentemente do lugar, tempo ou circunstâncias. O fio pode
esticar ou embaraçar, mas nunca rasga.
Acaba por ser o que
é considerado uma alma gémea na parte ocidental. Não
romanticamente, mas o tipo de alma gémea que acontece a um nível
astral. O destino está escrito e pode-se mudar certas coisas, mas
não todas. Há aquelas que são inquebráveis e não há forma
alguma que as possa despedaçar – têm de acontecer porque há uma
série de acontecimentos dependentes do primeiro, como o efeito
borboleta. A única coisa que pode mudar é a maneira como reages a
elas – isso depende totalmente de ti.
Eu era diferente em
todos os aspetos: física e mentalmente. Todos somos diferentes, na
verdade. A nossa identidade é única, assim como a nossa impressão
digital. É o que nos distingue dos restantes. Coloca-se aqui a
questão: somos assim tão especiais ao sermos diferentes se isso é
aquilo que nos torna iguais? Sinto-me uma estranha no meio de seres
humanos que parecem saber o que fazer da sua vida.
A minha altura
colocava-me numa posição muito desconfortável, já que era maior
do que o tamanho médio de uma rapariga; os olhos tingidos com o
aborrecido verde-acastanhado; as pestanas que eram claras, dando o
efeito de que eram quase inexistentes; as unhas roídas por causa dos
esforços sociais aos quais sou exposta; as maçãs do rosto que são
demasiado definidas para o tamanho da minha cara; a estrutura óssea
que não me deixava ser perfeita; as rugas de expressão que, ao
longo dos poucos anos de existência neste planeta, se desenvolveram
e decidiram habitar na minha face – isto era uma das poucas coisas
que até gostava de ter.
Os pensamentos que
insistiam percorrer rápida e furiosamente na minha mente estavam
constantemente a lembrar-me a estranheza que estava entranhada no meu
ser e parecia permanecer até ao fim. Das poucas vezes que proferia a
minha opinião, olhares eram-me lançados por ser tão divergente do
comum, deixando-me desconfortável cada vez que olhavam para mim
sequer.
Com estas
conclusões, era algo óbvio que amigos eram algo de que a minha vida
carecia. Apenas uma rapariga poderia ser rotulada de amiga –
Stefanie Ryan. A típica adolescente americana com o seu cabelo
clareado nas pontas; os seus olhos perfeitamente delineados com um
caramelo dourado, quase cor de ouro; o seu corpo parecia ser moldado
à imagem de Marilyn Monroe; os seus lábios eram carnudos e na
perfeita cor de vermelho rosado; A sua pose, o seu estilo, a sua voz,
a sua pele e até as suas unhas dos pés eram perfeitas.
A realidade é que
eu não era uma pessoa interessante; nem a mais positiva. Nem a mais
confiante em si ou nas suas decisões ou nos seus raciocínios.
Estabilidade era algo que nunca foi presente na minha vida.
Os meus sentimentos
e emoções eram escondidos ao máximo, tentando diminuir o estrago
dentro de mim. Na minha mente, se eu não demonstrasse qualquer tipo
de afeto ou confiança, ninguém me podia atingir.
A minha teoria
estava a correr perfeitamente bem.
Até
que ele apareceu.
—————————-
            Está aqui o prólogo do meu bebé! Para quem já leu Evanescente no Wattpad, sim, mudei o prólogo e mais algumas coisitas. Foram três anos desde que acabei o livro até decidir mandar para as editoras, era óbvio que já não me identificava com certas coisas que foram escritas. Ainda assim, a enredo final continua o mesmo, só precisava de umas melhorias aqui e ali.
             Para quem não entende do que falo: Olá! Sou a Marta e publiquei um livro chamado Evanescente, um drama adolescente com um bocado de romance. É a história de um cliché (adoro pegar em clichés e desconstruí-los). Um rapaz popular chega atrasado a uma aula e senta-se no único lugar disponível: ao lado de uma rapariga que ninguém conhece e ninguém quer saber dela. Acabam por se conhecerem e o resto é história (literalmente).
             O que quis criar com este livro foi uma espécie de experiência social em que vão dar por vocês a criticar certas personagens pelas más escolhas, mas vão acabar por perceber o porquê de elas as fazerem em primeiro lugar. “Tu nunca sabes o que realmente se passa na vida das pessoas. Não sabes o que pensam, não sabes o seu passado, não sabes nada. Tu não sabes o que se alterou na vivência da pessoa para se transformar no que ela é hoje. Algo pode ter desaparecido, alguma coisa pode ter acontecido. Todos somos instáveis, tudo é passageiro, tudo pode disspar-se a qualquer momento. E quando tu achas que sabes algo, tu só sabes apenas o que vês ou ouves, não a realidade.” Foi isto que escrevi na contra-capa do livro e acho que resume o enredo sem dar detalhes específicos.
             São 406 páginas escritas com amor, suor, lágrimas e muitas noites de inspiração. É o meu primeiro retrato como escritora e não mudava nada nele. Antes de o comprarem, considerem uma coisa primeiro, por favor: mantenham a vossa mente aberta. Tudo o que escrevi foi propositado, desde a escrita meio que infantil no início, até aos detalhes que parecem não bater certo ou meio hipócritas. Este é o primeiro livro de uma história de dois livros. A sequela vem em breve. Mantenham-se atentos.
ONDE COMPRAR?
– Falando comigo se quiserem cópia assinada.
Wook.
Bertrand (online e física).
Cordel D’Prata (site da editora que permite enviar para o estrangeiro).
– Livraria Bracara (BRAGA)
– 100ª Página – Livraria (BRAGA)
ONDE PODEM DAR A VOSSA OPINIÃO? 
– Nas minhas redes sociais.
– Em todos os sítios que mencionei acima.
– No GoodReads, que seria onde agradecia imenso se o fizessem.
O Até já que escrevo em quase todo o lado tem um significado especial que é revelado no livro, por isso que quando assino os livros o escrevo também.
Então,
Até já,

    Diz o que pensas! ;)

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