Palavras Soltas

✿ um adeus a algo, ou alguém, não sei.

13 de Agosto, 2019

              A razão que não tenho publicado: perdi a confiança em mim.
          Já tinha falado anteriormente sobre a minha pausa da escrita, eu sei. Ainda assim, apesar do que lá escrevi, acho que muitas das vezes, não é a falta de motivação ou de inspiração que falta nos artistas, mas sim o facto de lhes faltar a autoconfiança que tanto precisam neste mundo artístico. O medo de ser rejeitado é tanto que nos faz não criar nada porque pode haver a possibilidade de decepção nas expectativas que nós criamos.
            Após ter publicado o último capítulo de Evanescente eu só dizia “não sei mais o que escrever, não sai nada de jeito“. Passei cerca de 1 ano ou 2 anos a dizer isso: não conseguia escrever, tudo o que escrevia saía mal, as palavras não ficavam bem juntas. Sei lá, inventava mil e uma desculpas sem nunca procurar o cerne da questão. Por exemplo, esta minha pausa de quase 7 meses em que ia escrevendo uma coisa aqui, outra ali: a razão não era porque não tinha ideias, gente o que não me faltava era ideias! A sério, tenho cerca de 30 rascunhos aqui no blog, mais uns talões que os clientes não queriam preenchidos com coisas aleatórias que me ia lembrando. Aliás, eu ia escrevendo, só não publicava e o verdadeiro motivo por isso é que o meu perfecionismo chegava ao ponto de me dizer “olha, X fez melhor que tu, que vais acrescentar ao que ele fez?” ou “sabes… Y conseguia melhor que isso, vê lá se melhoras nessas tuas expressões, não te sabes explicar por nada desta vida!“.
             Há uma pressão exorbitante e um tanto paranóica de sermos os primeiros em tudo e de fazer tudo o mais completo e perfeito possível, sem erros e sem testes. A perfeição criou uma ambição tremenda na mente das pessoas que ao falhar uma vez já faz com que percam de vista a razão pela qual queriam tentar. E eu deixei-me levar por essa onda porque era o mais fácil para mim, invés de estar a combater a força natural de desistir. A minha insegurança impediu-me de continuar a fazer o que gosto e me dá vontade, o que fez com que eu perdesse a motivação para todos os outros aspetos da minha vida.
              Eu não tenho doutoramento em escrita, tampouco sou um génio que não comete erros. Tal como não sou perfeita a tirar fotografias, a pintar, a desenhar, a criar sites, a maquilhar. Posso ficar melhor e aprender mais sobre todas essas coisas, mas nunca serei perfeita e não há qualquer problema nisso. Qual seria a piada de saber tudo sobre todos os assuntos?
         Há demasiada preocupação em criar coisas perfeitas do que realmente partir para ação e simplesmente começar a criar. É por isso que eu procrastino muito, não é porque não tenho motivação ou ideias, é mesmo porque quero fazer algo perfeito e não quero estragar a visão que tenho e porque agora tudo que se diz é tido como errado por alguém. Enfim.
            Se é para retirar alguma coisa deste post é: faz, mesmo que não esteja perfeito. Mais vale fazer algo e depois ajustar, do que estar sempre à espera do “momento certo” que pode nunca vir acontecer. Queres escrever um livro? Queres começar uma empresa? Queres ser tatuador(a)? Queres viajar o mundo? Queres criar um website? Começa agora. Cria um plano para conseguires chegar ao teu objetivo, mas não passes a vida a planear, em algum ponto tens de começar agir.
              Adeus menina de planos, olá mulher de ação. Espero que estejas pronta para esta nova viagem. O Ano do Sim é agora. 

    Diz o que pensas! ;)

    %d bloggers like this: